O título do blog tem amplo significado. Tanto o autor como o presente espaço estão em constante construção.
(Afinal, somos seres inconclusos...). O blog vem sendo construído periodicamente - como todo blog - através da postagem de textos, comentários e divagações diversas (com seu perdão pela aliteração).

sábado, 10 de junho de 2017

Os gêneros literários e o texto de nossa existência

Como sabemos, as modalidades literárias são influenciadas pelas personagens – pessoa que age –, pelo espaço e pelo tempo. Destarte, com estagnação, inércia, não se escreve história. Seja ela fictícia ou real. 
É fato que há vários gêneros no mundo da Literatura, e que esses gêneros subdividem-se em diversos outros. Contudo, na correria da vida, por vezes não nos apercebemos dessa variedade de estilos literários que nos cercam. Não enxergamos a poesia que permeia nosso dia-a-dia, não nos permitimos sonhar como se vivêssemos num conto, não comparamos os fatos como numa parábola antes de tomarmos decisões. Às vezes, em meio a devaneios e delírios, nos imaginamos em meio a uma fábula; contudo, dela não extraímos a imanente lição de moral.
Não obstante, por considerarmos a felicidade uma lenda, é comum, por distração, pouco ou nenhum cuidado termos ao escrever a crônica da vida.
Outrossim, seja qual for o estilo que adotamos para escrever as linhas de nossa existência, deve ali estar impresso nosso caráter, bem como nossa integridade. Física, moral e espiritual. Física, porque nossa vida deve expressar o cuidado que temos com nós mesmos e, por conseguinte, com nosso corpo. Moral, é óbvio, porque temos que demonstrar inteireza e retidão em nossas atitudes, idoneidade e conduta ilibada perante a sociedade. Espiritual porque devemos ter a consciência de que um dia havemos de prestar contas ao nosso Criador, e nosso comportamento, nossa representação perante Ele em muito influenciará esse encontro. Ele bem sabe se realmente colocamos sinceridade em nossos atos, se realmente somos aquilo que demonstramos ou se estamos meramente sendo canastrões.
Na realidade, somos eternamente atores representando a nós mesmos. O mais interessante é que não apenas representamos. Não apenas temos sobre os nossos ombros o peso de sermos os protagonistas. Também escrevemos e dirigimos, além de sermos os contra-regras, figurinistas e maquiadores nessa “novela da vida real” que é a nossa existência. Ou seja, devemos ter todo o cuidado do mundo, mesmo nos mínimos detalhes, para que todas as cenas, atos e falas saiam conforme o previsto. Devemos ao máximo nos esmerarmos para não cometermos gafes, esquecermos o texto. Nem sempre contracenamos com alguém que possa nos dar a deixa; por vezes apresentamos um monólogo, somos o único foco das atenções. Mas uma coisa é certa: por maior que seja a dificuldade que encontramos na cena, nunca estamos sozinhos: aquele que concebeu nosso personagem observa todos os nossos passos e pronto está a amparar, animar, auxiliar e ensinar sempre que necessário. E não são poucas as vezes que precisamos. 
Conveniente ressaltar o valor das minúcias. Por menores que sejam os pormenores, todos tem seu grau de importância e influenciam no resultado final. Logo, todo cuidado é pouco para que tudo saia conforme planejamos.
E cada dia de vida, no qual temos a oportunidade de representarmos a nós mesmos, dando direção ao desfecho, é uma dádiva, um presente vindo do alto. O que não podemos é cair no erro de crermos num fatalismo, numa percepção ingênua ou mágica da realidade. Como seres históricos que somos, não basta estar “no” mundo: é necessário estar “com” o mundo.
Dessa maneira, cada dia de vida é um capítulo escrito na história de nossa existência. Continuemos, pois, a escrever nossa história. E uma história não se escreve só com uma página. Sigamos, pois, e prossigamos cumprindo nossa missão. Ghost-writers de nós mesmos. E que venha o próximo capítulo.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 6 de maio de 2017

Facebook ou Fakebook?

Na qualidade de possuidor de perfil no Facebook há quase 10 anos, e considerando o que tenho presenciado na aludida rede social durante esse período, passo a elencar algumas razões pelas quais entendo que tal nome merece ser alterado para Fakebook. Vejamos os fatos:
1. As pessoas agem como se suas vidas fossem um eterno feriado, uma felicidade contínua. Assim, pinçam alguns momentos aproveitáveis de suas (na realidade) enfadonhas vidas e as transformam em postagens, com o objetivo de aparentarem isenção às dificuldades, dores e aflições da vida.
2. As pessoas editam suas fotos para utilizá-las no perfil, de maneira que aparentem ter pelo menos vinte anos a menos do que realmente possuem.
3. As pessoas postam indiretas diariamente, já que não contam com a hombridade e a coragem necessárias para proferir o que pensam diretamente a seus desafetos.
4. As pessoas adicionam a seu rol de amizades centenas de usuários que sequer conhecem, ou com as quais tiveram o mínimo contato, somente para parecerem populares ou “importantes”.
5. As pessoas te enviam convite para amizade virtual, no entanto, quando te encontram pessoalmente, fingem que não te conhecem.
6. As pessoas atam relacionamentos à distância, via de regra ilusórios, não atentando para o fato de que “relacionamento virtual” é contradição de termos, uma vez que relacionamento denota contato ou proximidade física entre as partes.
7. As pessoas, conquanto em sua maioria não sejam especialistas ou, em parte dos casos, possuam conhecimento raso nos assuntos a que se propõe postar e debater, agem como se fossem verdadeiros Ph.D. nas mais diversas áreas.
8. As pessoas citam frases pinçadas alhures, atribuindo a si mesmos a autoria das ideias, muito embora sequer conheçam as regras mínimas do vernáculo.
9. As pessoas hipocritamente apresentam na rede social o exato oposto daquilo que vivem em seus cotidianos.
10. As pessoas, mormente os mais jovens, periodicamente postam fotos com seu novo amor eterno, acompanhados de juras que não resistem ao primeiro desentendimento. Como disse o poeta popular, “eternidade da semana”.

PS 1: Pensando bem, conforme observa-se acima, apesar de o Facebook merecer o epíteto “Fakebook”, o grande problema reside em parte das pessoas que o utilizam, e não na rede social propriamente dita. Aliás, como rede social, é um grande instrumento de comunicação e informação. Basta ser utilizado de maneira coerente.

PS 2: Para cada um dos casos elencados há exceções, óbvio.


PS 3: Inacreditável que milhares de “adultos” acreditem e percam tempo com aplicativos do tipo “Qual a primeira letra do nome do seu futuro par?”, “Com qual celebridade você se parece”, e asneiras congêneres. Para adolescentes que estão descobrindo o mundo tais testes podem até ser aceitáveis, mas para trintões, trintonas, quarentões, quarentonas, e até cinquentões e cinquentonas isso é, no mínimo, horrível.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 8 de abril de 2017

Kurt Cobain: ganhou o mundo, mas perdeu a alma...

No dia 08 de abril de 1994, isto é, há vinte e três anos, a estrutura do showbusiness foi abalada por uma notícia estarrecedora: Kurt Cobain, vocalista do Nirvana, havia sido encontrado morto em seu apartamento (em Seattle) por um eletricista, contratado para consertar o sistema de alarme da residência. Kurt estava com uma arma sobre o peito, apontando para o queixo. De acordo com os médicos responsáveis pela autópsia, o líder da banda mais influente da década de 1990 havia morrido (com um tiro na cabeça) a cerca de 48 horas da descoberta. 
Em 1991, com o lançamento de “Nevermind”, seu 2º álbum, o Nirvana tornou-se mundialmente conhecido. Desbancou do topo das paradas de sucesso algumas das “instituições” do pop, como Michael Jackson e Guns’n’Roses, fato inédito para uma banda recém saída do underground. A música “Smells like teen spirit” foi uma das mais executadas daquele ano, e seu estilo serviu de inspiração para a maioria, se não todas as bandas daquela década, inclusive aqui no Brasil.
À época, de repente todo mundo queria colocar guitarras distorcidas nas músicas e usar uma camisa xadrez de flanela amarrada à cintura. Desde então, até nas músicas infantis percebemos certo peso e distorção nas guitarras.
Músicas com estrutura do tipo “parte lenta, quase sussurrada + explosão no refrão” viraram febre, e passaram a fazer parte até do cancioneiro gospel.
O Nirvana foi, incontestavelmente, o responsável pela popularização do “rock de garagem”, o chamado rock alternativo, naquela ocasião denominado grunge. Até então o rock que dominava a grande mídia era a “farofa” do tipo Bon Jovi, Guns’n’Roses e similares.
Indubitavelmente, o estilo niilista do Nirvana era o reflexo do way of life de Kurt Cobain.
Calcula-se que, até hoje, Nevermind vendeu cerca de 35 milhões de cópias. Claro que Kurt, enquanto underground, desejava fazer sucesso. Se assim não o fosse, não teria assinado contrato com uma grande gravadora. O que provavelmente ele não queria era o pacote que acompanha o sucesso: fãs histéricos, falta de privacidade, pressão para continuar a compor canções bem-sucedidas, turnês intermináveis.
Dessa maneira, tudo isso aliado aos seus constantes problemas com drogas e com sua esposa, Courtney Love, levaram Cobain a cometer o suicídio provavelmente em 06 de abril de 1994, quando então tinha 27 anos (alguns questionam se a morte foi causada por suicídio ou homicídio - não vem ao caso).
Diante da história desse homem, impossível não se lembrar das palavras de Jesus registradas no Evangelho de Mateus, capítulo 16, versículo 26: “Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?”.
Kurt ganhou o mundo inteiro. Chegou ao topo das paradas pop. Recebeu rios de dinheiro. Tornou-se mundialmente conhecido. Apareceu em todos os órgãos de imprensa.
Mas perdeu sua alma. Não estou com isso querendo dizer que ele foi para o inferno, ou mandá-lo para lá. Só Deus pode fazê-lo ou não. Não estou falando que é para lá que Kurt foi. Não sabemos o que se passou naquela mente em seus últimos instantes, e menos ainda quanto ao lugar em que ele estará na eternidade. Mas Deus sabe.
No entanto, chamo a atenção para o fato de que a palavra “alma” também pode significar “vida”, “ânimo”, “coragem”, “sentimentos”. Nesse sentido, sem dúvida ele perdeu sua alma. Sua vida. Seu ânimo. Sua coragem de prosseguir. Seus sentimentos. Tudo isso em decorrência de ter ganho o mundo.
Enfim, ganhou o mundo, mas perdeu a alma. Infelizmente.
Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian                                          

sexta-feira, 24 de março de 2017

"Logan" e a Bíblia

Passadas três semanas da estreia de "Logan", penso ser o momento ideal para a postagem do presente texto.
Isso porque aqueles que são fãs do personagem, bem como aqueles que se interessam por filmes baseados em HQ em geral, certamente já assistiram ao filme (talvez mais de uma vez, como é o meu caso). Logo, não vão se importar com os spoilers.
Já os demais, que ainda intentam assistir à película, peço que interrompam por aqui a leitura (a não ser que não se importem, claro).
A finalidade do presente texto é demonstrar paralelos entre cenas e diálogos do filme em questão com passagens da Bíblia Sagrada.
Óbvio que aqui veremos doses generosas de "viagens" deste signatário. Não quero dizer que o autor/diretor teve a intenção de citar as Escrituras, tampouco nelas se inspirou. Trata-se apenas de um ponto de vista.
Isto posto, vejamos alguns desses momentos:

1) Aos primeiros minutos do filme, num diálogo no interior do tanque no qual vive o Professor Xavier, Logan retruca:
"- Você sempre achou que fazíamos parte do plano de Deus, mas na verdade somos um erro de Deus".
Quando algo não acontece exatamente como o planejado, ou quando algo que nos contraria a vontade acontece, mormente a primeira reação do ser humano é culpar a Deus. Reconheçamos que é dificílimo afirmar "Seja feita a vossa vontade", quando o que mais gostaríamos é que fosse feita a nossa vontade. E, como sabemos, é fato que nem tudo acontece de acordo com o que planejamos. Assim, as decepções fazem parte da vida de qualquer um.
No que diz respeito àquela revolta que vez por outra toma conta de nosso ser por algumas peculiaridades que apresentamos - aparência física, temperamento, classe social, etc., cabe-nos relembrar os seguintes textos:
"Ai daquele que contende com o seu Criador! o caco entre outros cacos de barro! Porventura dirá o barro ao que o formou: Que fazes? ou a tua obra: Não tens mãos?" (Isaías 45.9)
"Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?
Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?" (Romanos 9.20, 21)⁠⁠⁠⁠

2) Percebendo que o aprisionado Caliban reluta em usar seus dons para ajudar na localização de Logan, Xavier e Laura, Donald Pierce dispara: "- Você jogava no meu time, ajudou a matar todos os velhos mutantes... O que aconteceu? Entrou para a igreja?"
Observamos em nossa sociedade o quão comum é essa confusão feita entre a real conversão de alguém com a mera mudança de religião.
Penso que a intenção de Pierce (ou do roteirista, como queira) era, na verdade questionar se Caliban havia se convertido ao cristianismo, haja vista sua patente mudança de comportamento e de ideias - uma verdadeira metanoia.
Claro está que, arrependido de seus serviços prestados àqueles que pretendiam exterminar os mutantes, Caliban decidiu, de fato, "mudar de time", como zombou Pierce.
Poderíamos citar diversos versículos bíblicos relacionados à conversão, mas creio que somente Efésios 5.11 seja o suficiente para ilustrar o caso de Caliban: "E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as".⁠⁠⁠⁠

3) O momento em que Caliban, aprisionado por Pierce e sua trupe, numa das cenas de batalha obtém êxito em alcançar duas granadas, detonando-as dentro do furgão/cativeiro em que se encontrava. Conquanto tenha sido um ato suicida, a qual teve por escopo criar oportunidade para a fuga de Logan e Laura, certamente levou consigo alguns dos opositores. A referida cena me lembrou, guardadas as devidas proporções, do momento derradeiro de Sansão, ocasião em que empurrou duas colunas do templo de Dagom, fazendo-o cair sobre aqueles que o aprisionaram e dele faziam chacota.
Pude imaginar Caliban clamando, à maneira do citado juiz de Israel: “Morra eu com os filisteus!” (Juízes 16.30). Ou, numa paráfrase, “Morra eu com aqueles que nos perseguem!”.

4) Ao chamar a atenção de Logan, em um dos diálogos Charles Xavier brada: "- Seja como o resto do mundo que culpa as outros por suas próprias merdas!". Ou seja, alude à transferência de responsabilidade, tão comum no ser humano. Afinal, sempre foi muito mais fácil imputar a culpa ao próximo ao invés de assumi-la. Tudo começou no Éden:
"E chamou o Senhor Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás?
E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me.
E Deus disse: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses?
Então disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi.
E disse o Senhor Deus à mulher: Por que fizeste isto? E disse a mulher: A serpente me enganou, e eu comi." (Gênesis 3:9-13)⁠⁠⁠⁠

5) Na cena final do filme – quem diria que um dia veríamos o Carcaju chorar... – , agonizando e com Laura/X-23 chorando ao seu lado, Logan profere suas últimas palavras: “– Não seja aquilo que fizeram de você...” e “– Então essa é a sensação de ter uma filha...”.
Quem é pai (ou mãe) bem sabe a que Logan se refere. Acredito que ser pai é a maior bênção que já me foi concedida. “Eis que os filhos são herança do Senhor (...)” (Salmos 127.3).

6) Na cena que se passa no quarto do hotel, Professor Xavier e Laura assistem ao filme "Os brutos também amam", no qual em um dos momentos percebe-se os atores em meio a um sepultamento recitando a oração do "Pai nosso" (Mateus 6.9-13).

7) A película tem sangue, muito sangue... Chega a lembrar o Antigo Testamento.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sexta-feira, 10 de março de 2017

O primeiro Culto Protestante realizado no Brasil - 460 anos.

Há 460 anos era realizado o 1º Culto Protestante em nossa Pátria. Vejamos, em breves palavras, como tudo aconteceu.
Após o "descobrimento", Portugal muito demorou a se interessar pela efetiva colonização do Brasil. Some-se a isso o fato de que, face à dimensão territorial da costa, a missão de proteger a "Ilha de Vera Cruz" se constituía em algo impossível. Dessa maneira, outras nações se sentiram atraídas à execução de tal mister.
Um dos aventureiros que tiveram tal iniciativa foi Nicolas Durand de Villegaignon, militar francês que intentou implantar na América do Sul a "França Antártida". Para isso, teve pleno apoio rei Henrique II, que lhe cedeu duas naus, recursos materiais e recursos humanos para a viagem. A chegada da expedição à Guanabara aconteceu em 10 de novembro de 1555.
Uma vez estabelecidos na região, surgiram inúmeras dificuldades para os colonos. Com isso, Villegaignon solicitou à Igreja Reformada de Genebra a remessa de pastores e mais colonos cristãos, objetivando a elevação do nível moral e espiritual da colônia.
João Calvino selecionou para a missão os pastores Pierre Richier e Guillaume Chartier, visando a implantação da fé reformada entre os franceses, bem como a evangelização dos indígenas.
Os huguenotes - assim eram chamados os protestantes franceses - que acompanharam a viagem foram os seguintes: Pierre Bourdon, Matthieu Verneil, Jean du Bourdel, André Lafon, Nicolas Denis, Jean Gardien, Martin David, Nicolas Raviquet, Nicolas Carmeau, Jacques Rousseau e Jean de Léry, o escriba do grupo. Deixaram Genebra em 16 de setembro de 1556. Entre homens e mulheres vieram ao todo 290 pessoas.
Após meses de tenebrosa viagem, desembarcaram no forte Coligny dia 10 de março de 1557, quarta-feira. Realizada a recepção, reuniram-se numa pequena sala no centro da ilha, onde foi realizado um culto de ação de graças, que ficou conhecido como o primeiro culto protestante ocorrido no Brasil e, para muitos, do Continente Americano.
A sequência do culto foi a seguinte:
- Oração realizada pelo ministro Richier;
- Cântico do Salmo 5: “Dá ouvidos, Senhor, às minhas palavras”, hino integrante do Saltério Huguenote e ainda hoje presente nos hinários franceses.
- Sermão pregado pelo pastor Richier, com base no Salmo 27:4: “Uma coisa peço ao Senhor e a buscarei: que eu possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo”.
Findo o culto, os huguenotes realizaram sua primeira refeição brasileira: farinha de mandioca, peixe moqueado e raízes assadas no borralho. Dormiram em redes, à maneira indígena.


Para pormenores sobre o que aconteceu antes e depois do acima narrado, sugiro a leitura do livro "A tragédia da Guanabara", publicado pela Editora Cultura Cristã.


Soli Deo Gloria

Alessandro Cristian

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Malafaia: a derrocada de um pastor

1999 foi o ano em que comecei a ser atraído pelo Evangelho de Cristo. Naqueles tempos em que a internet dava seus primeiros passos e ainda não existia o Youtube, era dificílimo encontrarmos pregações e palestras, os quais eu buscava com avidez face à minha vontade de me aprofundar na Palavra.
Numa de minhas peregrinações pelos canais de televisão num sábado de manhã, me deparei com um jovem senhor falando sobre Jesus de uma forma que eu nunca havia presenciado: era Silas Malafaia, em seus áureos tempos, em que não tinha tanto dinheiro mas servia a Cristo com sinceridade e amor pelos ouvintes.
A partir dali, passei a me interessar pelos materiais por ele publicados: livros, Cd's e fitas VHS. Confesso que aprendi muito com algumas daquelas palestras/pregações.
No entanto, depois de alguns anos, as coisas começaram a mudar paulatinamente. A teologia da prosperidade, outrora renegada pelo aludido pastor, começou a ser por ele tolerada mediante pequenos flertes até que, enfim, a abraçou por completo e nela se emaranhou.
Acredito que isso aconteceu no momento em que ele entendeu que poderia ficar tão milionário quanto outros pastores lobos adeptos dessa abominável teologia, que transforma o Soberano Criador em mera marionete que está à mercê dos desejos humanos, numa espécie de gênio da lâmpada sempre pronto a atender quaisquer desejos dos fiéis, ou mesmo numa versão melhorada do papai noel.
Ao mudar o foco de sua fala, mudou também o tom para com seus detratores e até mesmo para com aqueles que simplesmente discordam das suas ideias. Assim, aqueles que não compactuam com sua nova linha de pensamento, passaram a ser chamados de manés, trouxas, e similares.
Passou também a ostentar seus bens, afirmando com a boca cheia que havia adquirido um avião particular pela bagatela de 12 milhões de reais, que seu anel custou 4 mil dólares e que que seu automóvel Mercedes-Benz blindado está avaliado em 450 mil reais, dentre outros arroubos de histeria e riqueza. Logo ele, que era um pregador ferrenho contra a teologia da prosperidade... Confira aqui.
Hoje em dia, ao invés da voz apologética do evangelho a qual Silas se orgulhava de ser (e a qual gostávamos de ouvir), está chafurdado na lama, numa espécie de “topa tudo por dinheiro”, abraçando outras coisas que outrora combatia (e.g., o apostolado moderno).
O que dizer então da Bíblia de 900 reais e outras campanhas horrendas realizadas por Silas com a ajuda dos pastores hereges gringos Mike Murdock e Morris Cerullo, com a finalidade de extorquir os crentes arrecadar dinheiro?
Mas o fundo do poço veio recentemente, com o indiciamento por lavagem de dinheiro na Operação Timóteo, desencadeada pela Polícia Federal com a finalidade de desarticular um esquema de corrupção nas cobranças de royalties da exploração mineral. O nome da operação está baseado na Primeira Epístola de S. Paulo ao jovem pastor Timóteo na qual o apóstolo afirma: “Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína (I Tm 6.9).
O indiciamento se deu pelo fato de que Silas recebeu uma suposta “oferta” de 100 mil reais em uma conta bancária pessoal, proveniente de um dos escritórios investigados. Claro que deve ser levado em consideração o princípio da presunção de inocência, insculpido no inciso LVII do artigo 5º de nossa Magna Carta, segundo o qual “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. Mas, convenhamos, como afirma o salmista, “um abismo chama outro abismo” (Sl 42.7). E, o primeiro abismo no qual Silas caiu é justamente o da teologia da prosperidade.
O desejo sincero de meu coração é que Silas se arrependa de seus desvios doutrinários, de sua ganância por poder, de sua ira, de sua falta de mansidão, de sua politicagem e de seu amor ao dinheiro, e se volte enquanto é tempo ao cristianismo puro e simples, do qual já foi um pregoeiro. 
Afinal, como sabemos, foi da vontade de Deus que Paulo fosse encarcerado, que Tiago fosse morto à espada, que Estevão fosse apedrejado, que João Batista fosse decapitado, que Pedro fosse crucificado de cabeça para baixo (segundo a tradição cristã) e tantos outros mártires cristãos fossem “torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição; E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados” (Hebreus 11:35-37).
Por que então seria da vontade d’Ele que Silas e todos nós fôssemos hoje milionários? 
Afinal, como disse Jesus, a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui (Lucas 12:15). A riqueza do cristão é outra.

(Para textos bíblicos sobre os perigos do amor ao dinheiro, clique aqui)

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 28 de janeiro de 2017

domingo, 30 de outubro de 2016

95 teses para a igreja brasileira hodierna (breves assertivas)

1) O justo viverá por fé.
2) Salvação, somente em Cristo.
3) Jesus Cristo é o único mediador entre Deus e os homens.
4) Sua igreja não é a arca de Noé atual. A igreja de Cristo, sim.
5) Deus nunca irá repartir sua Glória. 
6) Apóstolos, no sentido bíblico, não existem atualmente.
7) Não há base bíblica para a consagração de pastoras para o ministério.
8) Músicos da igreja são apenas os músicos da igreja. Levitas, nunca.
9) Objetos ungidos, copo d'água sobre a televisão e congêneres são apenas superstições inócuas.
10) Pastor não possui privilégio algum em detrimento da membresia. 
11) Pastor é servo de Deus e da igreja, e não patrão. 
12) Pastor deve ter vocação para tal. Pastorado não é hereditário.
13) Ungido do Senhor é Jesus Cristo.
14) Dízimo não é o padrão de contribuição para a igreja atual. Contribuições voluntárias, sim.
15) Deus não precisa do seu dinheiro.
16) Deus não cobra pra te abençoar. 
17) Palestra motivacional não é pregação da Palavra.
18) Espiritualidade não se mede por decibéis.
19) "Aleluia" e "glória" ditos mecanicamente não te aproximam de Deus.
20) As línguas bíblicas do livro de Atos eram idiomas conhecidos.
21) Anjos, na Bíblia, falam línguas humanas.
22) Rejeite a autoajuda e abrace a ajuda do Alto.
23) O movimento do cai-cai não tem base bíblica alguma.
24) De igual maneira, a "unção do riso" também não. 
25) Louvor deve ser cristocêntrico.
26) Quando o centro do louvor é o homem, e não Deus, o inimigo se diverte.
27) Cobrar pra pregar é coisa de mercenário.
28) Cobrar pra cantar é coisa de mercenário.
29) Evidência do Espírito Santo na vida do cristão é o fruto do Espírito. 
30) A Bíblia não precisa de acréscimos. 
31) Deus não precisa de popstars no púlpito. 
32) Igreja sem Jesus não é igreja.
33) Igreja sem pregação genuína da Palavra não é Igreja.
34) O culto deve ter ordem e decência.
35) Mais amor e cuidado com os necessitados, menos templos luxuosos e panelinhas.
36) Deus não habita em templos feitos por mãos de homens. Templo verdadeiro é você.
37) Culto a Deus é  culto a Deus e ponto final.
38) Deus não marca hora pra agir.
39) Deus é eterno e transcendente. Não está limitado ao espaço-tempo.
40) Não há base bíblica para culto de libertação, culto de milagres, culto da prosperidade e outros.
41) Calvino e Arminio não te salvam, tampouco suas doutrinas.
42) Toda teologia  tem suas falhas. Aproveite o melhor de cada uma delas.
43) Examine tudo, retenha o que é bom.
44) Gunnar Vingren e Daniel Berg não trouxeram o Evangelho para o Brasil; trouxeram o pentecostalismo.
45) Defender sua denominação não é o mesmo que defender o Evangelho. 
46) Há um lugar de descanso eterno para os salvos.
47) Há um lugar de sofrimento eterno para os perdidos.

48) Rol de membros da igreja não é o livro da vida.
49) Cartão de membro da igreja não é passaporte para o céu. 
50) Terno e gravata não são sinônimos de santidade.
51) O destino eterno de cada um dos homens, só quem sabe é Deus.
52) Quem convence o homem do pecado é o Espírito Santo. 
53) Igrejas não são propriedade de família. 
54) Peregrinar a Israel uma vez por ano não é necessário para a salvação. 
55) A água do rio Jordão é tão comum quanto a água de qualquer curso d'água.
56) A oração feita no monte não vale mais que a oração feita em qualquer outro lugar.
57) O dono da igreja é Jesus Cristo, e mais ninguém. 
58) Pastor é pastor, lobo é lobo.
59) O pastor quer o bem das ovelhas, os lobos querem os bens das ovelhas.
60) "Corinho de fogo" é desculpa para quem quer forró na igreja. 
61) A alegria expressa por Davi diante a arca da aliança nada tem a ver com os ministério de dança ou grupo de gestos das igrejas atuais.
62) Não se iluda com "profetas" e "profecias" de hoje. Profetas e profecias genuínas estão na Bíblia.
63) Nem todo aquele que diz "Senhor, Senhor" entrará no reino de Deus. 
64) Boas obras não levam ninguém para o céu. 
65) Cobertura espiritual, somente a de Jesus Cristo.
66) Teologia da prosperidade só é útil para seus propagadores, que de má-fé fazem fortuna, graças aos incautos.
67) Nesse sentido, o termo "pregadores da prosperidade" equivale a "prosperidade dos pregadores".
68) Pastor que se candidata a cargos políticos não tem certeza da vocação. 
69) Vivemos numa democracia. Não aceite voto de cabresto, nem coronelismo eclesiástico. 
70) Deus salva quem ele quer. Ele é Soberano.
71) Por si só, ninguém consegue parar de pecar.
72) Pela graça sois salvos, por meio da fé. E isso não vem de vós, é dom de Deus. Assim diz a Bíblia. 
73) Assim como não há infalibilidade  papal, não há infalibilidade pastoral. Seu pastor é tão falho quanto você, se não mais.
74) Assim, pastor presidente que toma decisões unilaterais, está totalmente fora do padrão neotestamentário.

75) Manda quem pode, obedece quem tem juízo não pode ser utilizado na igreja, salvo se a ordenança estiver explícita na Bíblia. 
76) O último profeta com autoridade para proferir "eis que te digo" e "assim diz o Senhor" foi João Batista. 
77) Arrotar santidade é farisaísmo.
78) Misericórdia quero, e não sacrifícios, diz a Bíblia. 
79) Sejam como o Senhor, não façam acepção de pessoas.
80) Avareza, maledicência e mentira são pecados tanto quanto aqueles de ordem sexual.
81) No exercício da disciplina eclesiástica não leve em conta o tamanho da contribuição financeira do disciplinado.
82) Relatos de pessoas que afirmam terem ido ao céu e ao inferno são  inverídicos, farsas. Duvide da sanidade e/ou boa fé daqueles que proferem tais relatos, e de editoras que publicam tais balelas.
83) Deus não é surdo.
84) Deus não é papai noel.
85) Deus não é gênio da lâmpada.
86) Pastor não é animador de auditório. 
87) Igreja não é hipermercado da fé. 
88) Púlpito não é balcão. 
89) Crente não é cliente.
90) Fé não é pensamento positivo.
91) Dizer incontáveis vezes "olhe para seu irmão e diga isso", ou "cutuque seu irmão e diga aquilo" são artifícios de quem não tem o que pregar. 

92) Toda oração deve conter "seja feita a Tua vontade". 
93) Numa oração, nunca diga "eu decreto" ou "eu determino". Deus não é empregado de ninguém.
94) Nunca teremos resposta para todas nossas questões.
95) Creia que Deus estará conosco todos os dias, até a consumação dos séculos.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

domingo, 21 de agosto de 2016

Santíssima Trindade: "Quem me dera ao menos uma vez, entender como só Deus ao mesmo tempo é três"...

A frase entre aspas em epígrafe, como todos sabem, faz parte da canção “Índios”, gravada em 1986 pela banda Legião Urbana em seu álbum “Dois”. A canção e o disco em questão fazem parte da adolescência de milhões de hoje jovens senhores brasileiros, dentre os quais eu me incluo. Nesse trecho da canção em apreço, consciente ou inconscientemente Renato Russo alude à Trindade, uma das doutrinas básicas do cristianismo. Conscientemente, acredito eu. Doutrina básica, mas não tão básica assim. Até porque a palavra “trindade” propriamente dita sequer aparece na Bíblia. O que não torna a doutrina antibíblica, uma vez que há abundantes textos bíblicos que a corroboram (e.g., Mt 3.16,17; Mt 28.19; Lc 1.35; Jo 3.34-36; Jo 14.16, 17; At 7.55; 2Co 13.13; Ef 4.4-6; 1Pe 1.2; Jd 20, 21; Ap 1.4,5, etc.)
Explica-se a Trindade da seguinte maneira: há um único Deus, no qual coexistem três pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Essas três pessoas compartilham da mesma natureza, bem como dos mesmos atributos; logo, são um único Deus.
Acredita-se que o primeiro a usar esse termo foi Tertuliano, no segundo século de nossa Era.
Certamente por esse “quê” de mistério e difícil compreensão seu significado foi e é distorcido à exaustão por sectários, por adeptos de outras religiões, e até mesmo por cristãos. A disparidade de explicações acerca dessa doutrina é tão antiga quanto o cristianismo. Opositores à Trindade também surgiram aos montes ao logo desses dois mil anos, encabeçados por Sabélio, pai do sabelianismo (óbvio), do modalismo, do patripassianismo...
Sobre o assunto, Santo Agostinho afirmou: “Quem poderá compreender a Trindade onipotente? E quem não fala dela, ainda que não compreenda? É rara a pessoa que, ao falar da Santíssima Trindade, saiba o que diz. “Se o pudesses compreender, ele não seria Deus”. “Quando chegarmos à Tua presença, cessará o muito que dissemos, mas muito nos ficará por dizer e tu permanecerás só, tudo em todos, e então eternamente cantaremos um cântico, louvando-te em um só movimento, em ti estreitamente unidos. Senhor, único Deus, Deus Trindade, tudo o que disse de Ti nestes livros, de Ti vem. Reconheçam-no os teus, e se há algo de meu, perdoa-me e perdoem-me os teus.”
Ou seja, Agostinho, tido como o maior teólogo cristão depois do apóstolo Paulo, não compreendia a Trindade. Mas n'Ela cria.
Confesso que também não compreendo a Trindade. Mas n'Ela creio. Sim, confesso que minha compreensão é estrita, limitada, não só acerca desse tema.
Quem me dera ao menos uma vez, uma só, entender como Deus ao mesmo tempo é três. E também entender plenamente incontáveis outros assuntos: Deus, céu, inferno, alma, porvir, eternidade, ruas de ouro e mar de cristal, milênio, arrebatamento, etc, etc, etc.
Na verdade, ninguém entende. 
Se entende, não entende Deus, mas sim "um deus".
Que o Deus incompreensível nos abençoe e nos guarde. E nos dê humildade para aceitarmos que, enquanto nesse corpo, nosso conhecimento acerca do Divino é limitada. "Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido" (I Coríntios 13.12).  

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 25 de junho de 2016

O Livro da Vida

Existe um livro, em algum lugar da Eternidade, onde estão escritos os nomes dos eleitos, daqueles que estarão para sempre com o Senhor (Ou no céu, ou num lugar de delícias, ou no Paraíso... Como queira). Nas Escrituras, esse livro é chamado de Livro da Vida. 
É claro que, por se tratar de algo que está por vir, ninguém pode afirmar ao certo se é realmente um livro, no sentido literal (ops...), ou em sentido metafórico, referindo-se ao eterno propósito de Deus. Levemos em consideração também o fato de que a Bíblia é repleta de termos simbólicos.
Uma coisa é certa: os nomes dos salvos, destinados à vida eterna por meio do sangue de Cristo, estão em algum lugar, seja em um livro celestial, seja gravado no “coração” do Pai, desde antes da fundação do mundo. De igual maneira, àqueles que se perderão, a Bíblia se refere como os que não estão com o nome escrito no livro da vida.
Alguns textos bíblicos corroboram essa posição. Vejamos alguns deles:
A besta que viste foi e já não é, e há de subir do abismo, e irá à perdição; e os que habitam na terra (cujos nomes não estão escritos no livro da vida, desde a fundação do mundo) se admirarão, vendo a besta que era e já não é, mas que virá.” (Apocalipse 17:8)
E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.” (Apocalipse 20:15)
E não entrará nela coisa alguma que contamine, e cometa abominação e mentira; mas só os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro.” (Apocalipse 21:27)
E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.” (Apocalipse 13:8)

Escrevendo aos Filipenses, Paulo parece ratificar a ideia de que os nomes dos eleitos de Deus estão gravados no livro em comento:
E peço-te também a ti, meu verdadeiro companheiro, que ajudes essas mulheres que trabalharam comigo no evangelho, e com Clemente, e com os outros cooperadores, cujos nomes estão no livro da vida.” (Filipenses 4:3)

Ou seja, pelos textos bíblicos aqui apresentados, claro está que os salvos têm o nome escrito no livro da vida desde a fundação do mundo. Em outras palavras, desde que o mundo foi fundado os nomes dos eleitos estão consignados em tal livro. Ou antes disso, uma vez que Deus "[...] nos elegeu nele antes da fundação do mundo [...]" (Efésios 1.4).
No entanto, nem todos creem dessa maneira. Alguns, aliás, acreditam que o nome de alguém pode ser escrito, apagado e reescrito no livro em questão quantas vezes forem necessárias. Por isso, é comum ouvirmos orações do tipo:
Senhor, escreve o nome dele (a) no livro da vida”
[quando alguém “se decide” por seguir a Cristo, como costumam dizer]
Ou
Senhor, escreve novamente o nome dele (a) no livro da vida”
[quando alguém que se encontrava afastado retorna para Cristo]. 

Os versículos citados pelos defensores dessa posição são principalmente os seguintes:
Sejam riscados do livro dos vivos, e não sejam inscritos com os justos.” (Salmos 69:28)
Note que aqui o salmista utiliza o termo “sejam riscados do livro dos vivos” como um eufemismo para “sejam exterminados”, ou “sejam mortos”. O versículo não diz respeito à vida eterna.

O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos.” (Apocalipse 3:5)
Aqui, Jesus não enfatiza a possibilidade de se apagar o nome de alguém que esteja no livro da vida. Antes, assegura que o rol dos vencedores – conhecidos por Deus desde antes da fundação do mundo – ali está gravado de maneira inexorável.


"Assim tornou-se Moisés ao SENHOR, e disse: Ora, este povo cometeu grande pecado fazendo para si deuses de ouro. Agora, pois, perdoa o seu pecado, se não, risca-me, peço-te, do teu livro, que tens escrito. Então disse o SENHOR a Moisés: Aquele que pecar contra mim, a este riscarei do meu livro." (Êxodo 32.31-33)
Em determinada ocasião, Paulo teve o mesmo sentimento que Moisés (Romanos 9.3). Aqui está patente que “nem todos os que são de Israel são israelitas” (Romanos 9.6).
Entendemos que a fala de Moisés pode ser parafraseada da seguinte maneira: "Senhor, se for tirar a vida de alguém, que seja a minha". O Pai, por sua vez, apresenta Sua posição, ratificada posteriormente em outras ocasiões através de Sua Palavra: "[...] a alma que pecar, essa morrerá." (Ezequiel 18.4)
Ademais, Moisés não poderia fazer expiação de pecados dos quais não era culpado. Só Deus poderia fazê-lo. A atitude de Moisés aponta para Cristo, que intercede por nós junto ao Pai.

Em suma... 
Meu desejo sincero é de que o meu e o seu nome estejam escritos no Livro da Vida.
Deus te abençoe e te guarde.

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian

sábado, 30 de abril de 2016

Bono Vox lança filme pautado nos Salmos

Bono Vox, vocalista do U2, lançou um filme sobre os Salmos em parceria com Eugene Peterson, escritor e pastor presbiteriano aposentado. Os dois se conheceram pessoalmente em 2010 durante uma turnê do U2 e, desde então, a ideia vinha sendo fomentada. Eclodiu em abril de 2015, embora o filme tenha sido lançado somente um ano depois.
O média-metragem foi batizado de “Bono e Eugene Peterson: Os Salmos”, e foi lançado em 26 de abril de 2016, terça-feira. Quanto ao teor da película, trata-se de um diálogo entre Bono e Peterson, cujo tema central é a fé, pautada no livro dos Salmos e na recente amizade entre ambos.
Bono, que sempre deixou patente sua simpatia ao cristianismo, eventualmente cita trechos da Bíblia “A Mensagem” nas apresentações do U2. Também já afirmou que, quando seu pai se encontrava no leito de morte, lia para ele trechos dos Salmos da referida tradução.
“A Mensagem” é uma paráfrase do Livro Santo adaptada por Peterson, uma tradução da Bíblia conhecida (e criticada por muitos) por ser mais casual, com linguagem contemporânea.
O documentário foi filmado na casa de Peterson, em Montana, e na International Arts Movement, galeria situada em Nova York. Foi concebido sob iniciativa do Fuller Seminary’s Brehm Center for Worship, Theology and the Arts. Fuller é um seminário fundado em 1940.
"Nossa esperança é que, após assistirem ao filme, as pessoas se sintam curiosas e inspiradas a lerem os Salmos, e descubram a importância e a preciosidade da poesia contida nas Sagradas Escrituras, a qual conquistou e inspirou Bono e Eugene", afirmou David Taylor, produtor do filme e diretor do Brehm Texas, que é uma iniciativa do Centro Brehm do Seminário Fuller. 
Embora acredite que uma ampla variedade de pessoas vão demonstrar interesse no filme, Taylor, que entrevista Bono e Peterson no filme, disse que os produtores acreditam que "ele irá conectar fãs do U2, fãs do escritor Eugene e sua igreja e líderes leigos, artistas, líderes de louvor, e as pessoas envolvidas na intersecção entre fé e cultura".
(Informações extraídas do New Boston Post. Imagem idem.)

Soli Deo Gloria
Alessandro Cristian